Sobre abraços

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Entre tantos significados, abraço também quer dizer carinho silencioso, cafuné na alma, afago no coração. É aconchegante, curativo, gostoso, contagiante: faz bem pra quem está dentro e dá vontade em quem está fora. Não custa nada a não ser um pouco de vontade – mas se tiver muita, é ainda melhor! Não dói nada, mas quando é recusado pode surtir o efeito contrário.
O primeiro abraço recusado geralmente traz surpresa (o que foi que eu fiz?). O segundo causa um frio inexplicável dentro da gente. E os demais, quando costumeiros, plantam mágoas que podem (acredite!) ser irreversíveis, porque tudo que a gente repete exaustivamente passa a valer como nosso hábito diário. Isso pode ser bom ou ruim (a gente é quem escolhe, afinal) e muda nossa vida pra sempre. Exagero? Nenhum. Só quem sabe o poder de um abraço, entende o que tou dizendo.
Quem não abraça, não sente. Quem não sente, não se alegra. E quem não se alegra planta negatividade em si mesmo e à sua volta, como erva daninha que cresce incontrolavelmente.
Mas o bom é que para cada abraço recusado, há sempre vários disponíveis e estes, na sua maioria, vêm cheios de amor, de carinho, de presença positiva na vida da gente. Cabe a nós aceitá-los… ou não.
A ausência do abraço dá saudade. A recusa envenena. Mas a sua presença é um bálsamo inexplicável.

Você já abraçou alguém hoje?

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Sobre o dia 18

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Era mais ou menos esse horário. Era sábado. E não havia expectativa nenhuma além do que havia sido combinado. Mas quem disse que a alma sempre colabora com o que a gente racionaliza e espera? A alma é uma coisinha esperta que sabe como mudar a vida da gente na hora que quer. E mesmo que tudo leve a crer que aquilo não era o que a gente merecia de fato e que não daria certo pra sempre, ficariam as experiências, as alegrias e as expectativas superadas no dia a dia. Mesmo que vários baldes de água fria trouxessem desânimo, havia o calor dela, o amor dela, a vontade dela de superar tudo e seguir em frente de queixo erguido e sem medo. Mais uma vez.
A alma não faz mesmo o que a gente deseja, mas o que é preciso. Ela só esquece de dizer que a gente pode se ferir, chorar, desacreditar… Porque todos os começos geralmente são maravilhosos, mas o grand finale é quase sempre uma ferida aberta que demora a cicatrizar. Dói durante muuuito tempo, depois ameniza… aí vira uma lembrança boa e (infelizmente) uma comemoração fria que vai se diluindo até virar indiferença.
A alma devia dizer pelo menos quanto tempo levaria todo esse processo. Porque, enquanto isso, o coração continuava a fazer festa no peito, incansavelmente.

Sobre invernos

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O líquido quente era um velho conhecido, seu companheiro dos últimos dias. Desceu dos olhos pelo rosto, passeando sem cerimônia e tocou-lhe a boca, alinhavando a expressão fechada. No peito, aperto e frio. No corpo, a impotência diante das mudanças que era preciso fazer, a qualquer custo.

Esqueceram de dizer que doía, que gelava a alma, que tirava-lhe a pouca paciência. Esqueceram de dar-lhe um pouco mais de coragem e determinação. Era preciso buscar, sabe-se lá onde… Era preciso compreender que sentiria o forte impacto da abstinência de tudo que construíra e que via, agora, fugir entre seus dedos.

A ferida parecia não sarar nunca. Mas sangraria até que se sentisse forte o suficiente para estancá-la e sorrir. Precisava sentir calor na alma de novo.

Porquê o inverno demorava tanto a passar?

Sobre mágoas e afins

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Quando estamos cheios de mágoa, raiva, ressentimento, a primeira ideia que vem à cabeça é não deixar barato, afinal não é justo que o causador dessas coisas fique impune, certo? Errado. Conte aí até 10. Beba água. Ouça uma música relaxante. Dê uma volta no quarteirão. Tome um cafezinho (hummmm). Pese, pense, pondere. Mas jamais aja de cabeça quente (vai por mim, já fiz isso e não foi legal).
Sei que, humanos que somos, nem sempre vamos ter paciência ou tempo pra executar qualquer uma dessas tarefas, aí quando vemos, o estrago está feito. Nem sempre dá tempo de correr atrás do prejuízo, de consertar as coisas, por isso vamos ver se a gente põe a cabeça pra pensar o quanto antes, combinado? (diga que sim, por favor! rs)
Claro que eu já pensei em vingança. Já senti ódio. Já me excedi a ponto de não me reconhecer. Já fui magoada tantas vezes na vida que pensei em revidar na mesma moeda ou fazer pior, porque num rompante a gente acha que é a melhor coisa a fazer. E não é. Juro juradinho!
Então… o que fazer quando chegamos ao limite?
Primeiro: não engula o choro, mas também não deixe o outro saber que você quase se afogou nas próprias lágrimas. Segundo: pense friamente – seu ato de vingança pode magoar outras pessoas além do desafortunado que te magoou? Você vai se sentir melhor se cometer o mesmo mal? Isso vai mudar as atitudes do outro ou melhorá-lo?

(Tempo pra resposta)

Bom, eu não sou a pessoa mais certa pra dar conselhos, mas quem tá me lendo é porque quer saber o que eu penso, né? Então vamos lá. No meu caso, por mais que seja tentador cometer um mini crime, prefiro afastar o que (ou quem) me faz mal, mesmo que demore, mesmo que eu desista várias vezes no meio do caminho ou ache que nunca vou conseguir – porque tem uma força e uma voz aqui dentro dizendo que eu consigo sim! E você também.
Terceiro: tem algum resquício de amor nessa história? Dê tudinho pra quem precisa ou merece. Amor nunca é desperdício. Perde mesmo é quem não sabe receber. Sério. Valendo.
E por último, uma dica: cuide bem da sua alma. Foi buscando cura e carinho para a minha que encontrei nas palavras de Emmanuel um resumo do que devemos fazer em momentos de mágoa ou fúria:

“Silencia e espera, porque Deus e o Tempo tudo esclarecem, restabelecendo a verdade. E para que os irmãos enganados ou enrijecidos na ignorância se curem das ilusões e das crueldades a que se entregam, bastar-lhes-á, simplesmente, viver.”

Paz, luz e muita sabedoria pra nós, amém.

Sobre aprendizados

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Desde pequena, minha mãe me ensinou a reconhecer o meu lugar, aquele onde eu cabia por merecimento ou afinidade, nunca por capricho. Ia com meus irmãos às festinhas e muitas vezes saía sem comer tudo que eu queria, porque não achava certo pedir – e esperava que me oferecessem, pacientemente. Lógico que nem sempre ofereciam e que eu sofria um bocado com isso!
Quando cresci, as coisas finalmente mudaram: aprendi a correr atrás do que eu quero, com uma fome bem maior que aquela dos docinhos de festa. Nem sempre consigo, mas aprendi que isso também faz parte do processo de crescimento.
Na infância, eu aprendi a medir distâncias: “só vou até onde os meus braços alcançam” – mas quando preciso ir além, vou com força e com uma vontade gigantes. Às vezes, até me desconheço.
Na infância, aprendi a não pedir, mas aperfeiçoei isso quando descobri a intuição: meus desejos são governados por ela. Só peço algo se sentir que há uma chance mínima de obter sucesso – todo mundo tem medo de receber um “não”, afinal de contas.
Na infância, eu me fechava na minha timidez e na minha insegurança pra me proteger. Hoje eu me protejo fechada no meu silêncio, aquele mesmo que dizem por aí que é sábio e que ensina um bocado. Criança pensa que tudo é moleza. Gente grande sabe que quase sempre é preciso endurecer. Criança não sabe direito o que é amor, carinho e essas coisas que fazem a vida da gente mais feliz. Gente grande sabe que essas coisas valem ouro e, portanto, pertencem a quem puder alcançá-las – por merecimento ou afinidade. Nunca por capricho.

Sobre as escolhas

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Todos nós nascemos com um item obrigatório: o tal do livre arbítrio. É ele que nos dá o poder de escolher – bom ou ruim, certo ou errado, não importa, nós podemos fazer o que quisermos! Bacana, né? Nem sempre.
É que alguns de nós também viemos equipados com uma boa dose de indecisão, outros com insegurança, dúvida, medo… e por aí vai. E como não existe um botão que regula tudo isso, então o grande lance é usar o livre arbítrio pra tomar decisões e arcar com as consequências, que podem ser desastrosas ou incrivelmente bem sucedidas. Podemos vir também com o item “sorte” ou “sabedoria” ou ainda com as duas coisas. Como saber? Só tentando!
Algumas escolhas são bem particulares e é preciso entender que não dá pra ditar regras ou achar que podemos interferir no ritmo alheio. O desejo de mudar o outro é livre, mas a vontade dele é soberana.
Pra entender melhor basta pensar nas coisas que queremos para as nossas próprias vidas. O que eu escolhi fazer? Quem eu escolhi ser? De que forma eu quero que o mundo me veja? Como eu me sentiria se alguém interferisse na minha vida? O que me faz realmente feliz? Fica mais fácil se olharmos para o nosso próprio umbigo e entendermos que pessoas são diferentes umas das outras, mas a liberdade de escolha é igual pra todo mundo.
Se você teve a sorte de vir com o item sabedoria, vai entender do que eu estou falando. Mas se veio apenas com o item “sorte”, volte algumas casas e viva mais um pouquinho: geralmente a maturidade traz pra vida da gente aquilo que está faltando.

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No fundo, lá no fundo, aquele discurso de sempre era falho. Era apenas mais uma forma de se defender da solidão do que das investidas de quem não valia a pena. Era um pedido de ajuda: “olha pra mim, eu também quero ser dois”. E talvez fosse a forma mais difícil de fazer as pessoas entenderem que ela queria, tanto quanto qualquer um, caminhar com alguém do lado. Afinal, o fato de ser boa com as palavras não significava que ela soubesse dizer com todas as letras exatamente o que sentia, né?
Não achava complicado dizer que gostava de cafuné, de andar de mãos dadas, de dormir de costela… difícil mesmo era dizer que queria isso pra sempre. Difícil era admitir que sentia falta de ter com quem conversar todos os dias no café da manhã, de fazer planos para as férias, de ver tv com o outro grudado, de ter com quem contar quando precisasse de colo, de saber que era só estender a mão e encontraria sua metade ali, disponível, mesmo que fosse para não fazer nada. A tal da referência, sabe? Aquela pessoa para apresentar aos amigos e à família não como “um amigo”, mas como companheiro. Para aparecer nas fotos dos passeios mais legais, das farras com os amigos, de algum momento gostoso do dia-a-dia. Para conversar bobagem e sorrir e cantar junto. Para ter apelidos carinhosos e uma playlist exclusiva. Para não sentir vontade de estar com outro alguém.

Lembrou de uma frase que disseram dez anos atrás: “saia da sombra, é a sua hora de ver o sol”. Depois de muito tempo, sentia a sombra se dissipando, o medo indo embora e o sol querendo entrar pelas frestas que a muito custo conseguiu abrir. Deixou que entrasse. E tudo que queria era que jamais saísse dali.

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Como se não bastasse termos que lidar com os nossos próprios medos, em algum momento da nossa vida passamos a ter que lidar (mesmo involuntariamente) com o medo do outro. E esse também paralisa, cega, julga, nos transforma em alvos fáceis e em alguns casos, nos faz vítimas das mazelas de quem não consegue acertar o passo. Nesse momento, o que era alegria vira dúvida, vira insegurança, vira tanta coisa louca que chegamos a desacreditar que um dia vamos contar uma história diferente – de preferência com um belo happy end. Mas será que a coisa é tão complicada assim?

Estamos cansados de ouvir que a paciência é sempre bem vinda, que é melhor viver um dia após o outro e esperar que as coisas se ajeitem. Isso mesmo: cansados! Porque o que todos gostaríamos de ouvir era o bom e velho “vai sem medo de ser feliz e acredite que tudo vai dar certo“. Ok, não vai adiantar mesmo dizer nada quando o medo (ele mesmo, o grande vilão) chegou causando um verdadeiro caos, não tem palavra que alivie, não tem conselho que nos deixe um tiquinho mais animados. E o pior: a vontade de jogar tudo para o alto vem e vai em espaços de tempo cada vez mais curtos. Mas antes que o pânico se instale, melhor esfriar a cabeça e pensar um pouco.

Voltemos ao primeiro parágrafo. Além dos nossos medos, todos nós carregamos na bagagem da vida experiências boas e ruins, vitórias, frustrações, alegrias que, em maior ou menor proporção, vão moldando nosso jeito de viver e de ver o mundo. E um dia nos damos conta de que, se sobrevivemos a tantas coisas, podemos sobreviver a isso também, o que não significa deixar as coisas como estão.

Desistir até poderia ser o caminho mais fácil, mas… onde foi mesmo que você guardou a velha e boa fé? Cadê a bagagem emocional que fez de você a pessoa que é hoje? As suas costas devem estar cansadas do peso extra, então que tal transferi-lo para outro lugar? Comece pensando: “isso não me pertence” e exclua-o sem hesitar. Aproveite e ajude o outro a aliviar as próprias costas também. Os benefícios virão e são recíprocos, acredite.

Viver sem medo requer coragem, então descubra onde está a sua (sim, ela existe!) e dê o passo seguinte. Carimbe seu passaporte para aquele sonho tão desejado e saia de vez da zona de conforto, mas antes ponha o medo pra correr. E jamais permita que ele olhe pra trás.

Sobre voltas

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Tava aqui lembrando do ator George Clooney no filme “Amor sem Escalas”, no trecho em que ele dá uma palestra que começa com a pergunta “O que tem na sua mochila?”. Aos poucos, Clooney pede que os participantes coloquem dentro de uma mochila vazia todas aquelas coisas que carregam durante a vida: casa, carro, livros, móveis, pessoas… e depois os desafia a caminhar com esse peso nas costas. Dificil, né?
Mas a vida da gente é assim mesmo: vamos juntando coisas, pessoas, experiências e algo começa a dificultar a caminhada. Claro que ninguém precisa radicalizar como o desapegado Clooney do filme, mas dá pra identificar o que é importante, deletar o que não serve e apegar-se ao que realmente nos faz bem.
Foi assim que eu fiz, dei um tempo e optei por não vir aqui durante três anos. Mas a alma (essa louca que vive grudada comigo) andava inquieta. E eu nunca desapeguei desse espaço criado na época que considero o divisor de àguas na minha vida (lá se vão dez anos). Aí eu decidi que agora era a hora certa de voltar, migrei para uma nova plataforma e renovei toda a minha bagagem. A mochila agora está bem mais leve e os meus vôos, cada vez mais altos. Graças a Deus.

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Eu não ouvia a voz dele há muito, muito tempo. Acho que há mais de dez anos. E jamais imaginaria que seria ele me ligando de Natal (RN) às 11 h da manhã do último domingo. Lúcido e alegre com mais de 80 anos, o tio Djalmir conversou comigo como se tivéssemos nos visto ontem, contou-me a sua vida e me aconselhou a acreditar nos meus sonhos e a não desanimar. Ensinou-me exercícios para melhorar a voz, repassados a ele por um padre amigo e me falou do respeito que devemos ter pelas escolhas alheias: “Se meu filho quisesse ser médico, eu compraria para ele todos os livros de medicina para ajudá-lo a ser um bom profissional. Se decidisse ser carroceiro, eu compraria para ele uma carroça e o ajudaria, da mesma forma, a ser o melhor. Porque, minha filha, a gente tem que fazer o que gosta e fazê-lo com AMOR”.
Meu tio foi radialista e me disse que deixou a profissão no auge, para que pudesse ser lembrado como aquele que durante 40 anos recitou diariamente pelo rádio a Ave Maria. “Fazia isso inspirado na mamãe” (minha vó Mundica, já falecida) e ao dizer isso, meu velho tio chorou feito criança.

Sabe tio, eu não vou me importar se alguém me chamar de doida ao me ver praticar os exercícios de voz que você me ensinou. Nem vou ter vergonha de dizer que também chorei ao lembrar da nossa Mundica. Prometo jamais desistir das coisas nas quais acredito. Saiba que eu me orgulho de ser sua sobrinha e de ter herdado essa FÉ na vida e na profissão que escolhemos: somos comunicadores apaixonados!
Só vou te pedir uma coisa: prometa que não vai embora sem que eu possa te abraçar de novo. Mesmo que demore mais uns anos (temos tempo ainda!), mesmo estando distantes, nada no mundo poderá cortar os laços que nos unem pra sempre: somos FAMÍLIA!